Patrimônio
Cultural
Conservação e Restauração
A Conservação
e a Restauração visam salvaguardar o que consideramos bens
culturais, que são produtos de nossa cultura - do pensamento,
do sentimento e da ação do homem. Esses bens formam o
patrimônio histórico e artístico, ou seja, nosso Patrimônio
Cultural.
Patrimônio
Cultural
Patrimônio
Cultural é o conjunto de bens culturais de valor reconhecido para
um determinado grupo ou para toda a humanidade. É dividido,
inicialmente, em duas categorias: os bens intangíveis e os bens
tangíveis. A Conservação e a Restauração atuam sobre o
segundo grupo, que é ainda subdividido em bens imóveis e móveis.
A
preservação do Patrimônio Cultural tem importância fundamental para o
desenvolvimento e enriquecimento cultural de um povo. Os
bens culturais guardam informações, significados, mensagens,
registros da história humana - refletem idéias, crenças,
costumes, gosto estético, conhecimento tecnológico, condições
sociais, econômicas e políticas de um grupo em determinada
época.
Ao
contrário da visão que alguns têm do Patrimônio,
referindo-se à objetos de museus como coisas velhas e
estagnadas, o contato com o Patrimônio Cultural deve ser
dinâmico e transformador, pois esses registros culturais nos
propiciam um momento de reflexão e crítica que ajuda a nos
localizar no grupo cultural a que pertencemos e a conhecer outras
expressões culturais, cujas semelhanças complementam e cujos
contrastes dão forma à nossa cultura.
Assim,
o Patrimônio Cultural não é algo estático, mas justamente o
que nos impulsiona à transformação, à criatividade e ao
enriquecimento cultural, por isso a importância de sua
preservação.
Conservação e Restauração
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É
comum usarmos o termo Restauração
de forma genérica, englobando uma série de procedimentos no
cuidado dos bens culturais. Porém há definições que
especificam mais detalhadamente as diferentes formas de atuação.
Beatriz R. Restrepo, apresenta um quadro (abaixo) que
diferencia o caráter de cada intervenção:
Ampliando
a área de atuação sugerida por Restrepo, consideraríamos que
atuam na Preservação, por exemplo, os que trabalham pela criação
de leis de proteção do Patrimônio. Entre a Preservação
e a Conservação, podemos citar ainda a Conservação Preventiva - termo mais
recente, que classifica uma intervenção indireta: a atuação é
no meio ambiente, prevenindo as deteriorações através da
adaptação das condições externas - temperatura, umidade,
iluminação, qualidade do ar, etc. - de forma a favorecer aos
materiais constitutivos da obra.
A
Conservação incluirá, além dos cuidados com o ambiente, o
tratamento dos elementos físicos (da matéria) da obra, visando
deter ou adiar os processos de deterioração.
A
Restauração, além de incluir os procedimentos de Conservação
- uma vez que esses dois aspectos estão interligados, atua
especificamente nos valores históricos e estéticos da obra de
arte, restituindo esses valores tanto quanto possível.
Considerando serem exatamente esses valores, históricos e
estéticos, o que confere à obra a qualidade de obra de arte, e
sendo cada obra um exemplar único, a prática da Restauração
exige uma formação bastante específica e criteriosa.

Em
tempos remotos, a restauração era realizada, em geral, por
artistas ou por pessoas com "habilidade
manual"...
essa prática gerou danos, por vezes, irreparáveis! O
respeito pela autenticidade da obra e a noção
de
ser a restauração um momento de
interpretação
crítica é um conceito
moderno.
Cesare Brandi,
grande teórico da Restauração, chama a atenção para
as duas polaridades a serem consideradas na obra de arte:
a estética e a histórica. Como princípio, estabelece
que:
"A
restauração deve dirigir-se ao restabelecimento da
unidade potencial da obra de arte, sempre que isto seja
possível, sem cometer uma falsificação artística ou
uma falsificação histórica, e sem apagar as marcas do
transcurso da obra de arte através do tempo".
(Cesare
Brandi, Teoria da Restauração)
Se
antes a Restauração foi
praticada de forma empírica, hoje é cercada de um
aparato técnico-científico que confere uma base segura
para as intervenções nas obras. Hoje, as restaurações
buscam intervir menos nas obras e com o cuidado de
utilizar materiais reversíveis.

Essas
mudanças são fruto de uma compreensão importante: a
noção de nossa temporalidade. Sabemos que as decisões
que tomamos hoje, a cerca de uma restauração a ser
feita, são movidas pelo que pensamos, conhecemos e pelo
gosto estético de hoje. Porém, a obra
perdurará... A busca pela mínima intervenção e
pela utilização de materiais reversíveis, bem como a
documentação do processo, objetivam viabilizar futuras
intervenções necessárias, quiçá com uma tecnologia
melhor e um conhecimento mais aprofundado.
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